Crônicas

PARTIDA COMENTADA: JUNIOR BERNA X THIAGO SALOTTI - PREPARAÇÃO PARA OS JOGOS REGIONAIS 2017

28/04/2017 09:30

por José Reitor Rizzardi

 

Antes de tudo, quero deixar bem claro que o fato de eu estar comentando esta partida não permite concluir que eu seja superior aos meus colegas, estamos todos num nível muito próximo.

Como o comentário me foi solicitado, tomei a liberdade de fazer algumas brincadeiras, mas sem a intenção de desmerecer ninguém, o objetivo é tornar a análise mais divertida.

É necessário levar em conta que eles tiveram pouco mais que uma hora para tomar suas decisões, enquanto eu levei praticamente três dias, além de não ter a pressão habitual de uma partida.

Feitos os esclarecimentos, vamos ao que interessa:

 

1-c4, e5; 2-g3, Cf6; 3-Cc3, Bc5?! (Lance pouco comum, os mais jogados são Bb4 e d5); 4-Bg2, c6; 5-a3, d5 (A titulo de curiosidade, em 1923, Bogoljubow jogou contra o futuro campeão mundial Max Euwe, 1935-1937, a seguinte variante: 5-...... 0-0; 6-b4, Be7; 7-d4, exd4; 8-Dxd4, c5; 9-bxc5, Cc6; 10-De3, Da5; 11-Cf3, Bxc5; 12-D2d, Bxf2+; 13-Rxf2, Dxc3; 14-Dxc3, Ce4+; 15-Re3, Cxc3, com pequena vantagem para as pretas, mas a partida terminou empatada); 6-b4, Bb6; 7-c5, Bc7; 8-Cf3, e4; 9-Cd4 (Aqui começa a dança do cavalo indeciso !!!!), b6; 10-Cb3, Be6; 11-Cd4 (De lá pra cá, daqui pra lá...), Dd7; 12-0-0, Bh3; 13-f3, Be5 !! (Bravo, uma boa estratégia é atacar as peças sem defesas, neste caso, além de forçar o cavalo continuar sua dança, centraliza o Bispo) 14-Cb3, 0-0 (Tenho certeza, se fosse o Lucas jogaria h5); 15-Tb1, Te8; 16-Tf2, (Até aqui, apesar da dança do cavalo, a partida foi muito bem jogada por ambos, este lance permite que as pretas assumam o controle da partida, Bb2 era o natural, depois de Tb1, completando o desenvolvimento. A partir deste momento o nível de concentração deve ter caído, pois ambos começaram a cometer erros), e3, 17-Bxh3, exf2 ? (Erro de cálculo que desperdiça a chance de tomar as rédeas da partida, certamente as pretas não consideraram a excelente resposta das brancas, Dxh3 era o correto) 18- Rg2 !! (Único e bom, qualquer outro e a partida estava liquidada), De7; 19-Rxf2 ? (Esse peão não fazia mal pra ninguém, podia ser tomada a qualquer momento, melhor seria jogar d4, para por o Bispo de c1 no jogo), Bxc3 ? (Devolve a gentiliza, além de trocar o belo bispo centralizado por um pangaré sem futuro, resolve o problema do bispo de c1 e arruma um belo posto pro cavalo dançarino em d4) 20-dxc3, Cbd7, 21- Bg5 ? (Será que o dançarino ficou cansado? Cd4 imediatamente era o correto, pois agora o Bispo já esta no jogo e podia esperar pra ver qual a melhor casa para ir, em c1 está bem melhor que em g5), Tad8; 22-Cd4?  (Não sei se foi o caso nesta partida, mas é comum vermos um bom lance só depois que já jogamos, e ai ficarmos martelando em nossa cabeça a oportunidade desperdiçada. Isto, invariavelmente, nos leva a cometer um equivoco maior, que é jogar este lance logo em seguida, sem a devida análise. Quando nos damos conta de que a posição mudou, já é tarde. Cd4 um lance antes era perfeito, agora é um erro, por sorte o adversário não viu o tático), Cb8 ?? (Ce4+ era demolidor, mais uma vez o tema da peça sem defesa!!!, vejamos: 22-.....Ce4+, 23-fxe4, Dxg5; 24-Bxd7, Txd7, com o lance jogado, a vantagem passa para as brancas) 23-Cf5 ??, (Devolve a vantagem por causa do tático acima indicado, cxb6, livrando-se do peão dobrado, ou Dd2, garantiriam uma pequena vantagem) De5 ?? (mais uma vez deixa passar o tático e devolve a vantagem para as brancas) 24-Bxf6 ?? (Dd2 !!, defende c3 e ameaça Bf4, com boa vantagem, agora a posição fica indefinida novamente), Dxf6; 25-Dd4 (Depois da tempestade vem a bonança), Dxd4, 26-cxd4, g6; 27-Cd6, Tf8 (Te7 era melhor); 28-Tb3!, Cd7? (f5 era indispensável); 29-Cb7, f5 (Agora é tarde); 30-Cxd8, Txd8; 31-Te3, Rf7; 32-Tc3 ? (Erro de conceito, tirar a torre de uma coluna aberta não pode ser um bom negócio), Tc8? (Aproveitando o comentário acima, que tal tentar criar uma coluna aberta pra torre com bxc5); 33-g4, Rf6; 34-f4 ?! (Erro de conceito, só o fato de possibilitar a imobilização da cadeia de peões, favorece o Cavalo, 34-cxb6, Cxb6 ou axb6; 35-gxf5, gxf5; 36-e4 !!!, com grande vantagem), a5 ?? (era melhor bxc5, e tentar contra jogo pela coluna b); 35-g5 ?? (Insistindo no equivoco, colocar o peão nas casas pretas seria a estratégia correta contra um bispo do adversário, cerrar a posição favorece ao cabalo), Rf7; 36-Bf1, axb4, 37-axb4, b5 ?? (Pode parecer paradoxo, mas cerrar a posição agora não é bom, pois deixa a torre fora do jogo, era indispensável bxc5, para dividir o controle das colunas abertas, quando temos mais de um tema estratégico, temos que escolher o melhor para o momento); 38-Ta3, Cf8; 39-Ta7+, Rg8; 40-h4 (A ideia de ruptura em h5 não é má, mas muito lenta e dá chance de contra jogo para as pretas, mais efetiva era e4!, direto, abrindo linhas para o bispo), Ce6; 41-e3, Tc7; 42-Ta8+, Rf7; 43-Be2, Re7; 44-Th8 ? (A posição das pretas é solida, difícil de vislumbrar uma forma das brancas fazer progresso, mas era preferível continuar tentando com h5, este lance tira a torre do jogo perigosamente), Cf8; 45-h5, Rf7; 46-h6, Ta7; 47-Re1,Ta4; 48-Rd2, Txb4; 49-Rc3, Tb1; 50-Rc2, Th1; 51-Bxb5 ?? (Isto entrega a partida desnecessariamente, a partida estava empatada, pois, para manter a torre branca fora de jogo, o Rei e o cabalo preto estão imobilizados, e a torre sozinha não da conta de ganhar) cxb5; 52-Rb3, Th3; 53-c6, Txe3+; 54-Rb4, Te7 ??? (Parece incrível, mas este lance perde a partida. Bastava voltar a torre para e8, e o Rei branco não pode ir pra b4 ou c5 que leva cheque do cavalo e perde a torre e a partida. Agora, para segurar o peão as pretas terão que, além de libertar a torre, entregar o cavalo); 55-Rxb5, Re8; 56-Rc5, Tf7; 57-Tg8  -  0-1 ?!?!?!?!  (Neste ponto a partida parou de ser anotada, ambos estavam pendurados no relógio).

Difícil de acreditar que as brancas perderam isto, mas é interessante observar como é muito mais difícil jogar o ping em uma partida pensada que numa partida blitz, talvez porque neste nossa mente já esteja adaptada ao ritmo do jogo.

Se esta fosse uma partida blitz, tenho certeza que o Junior não precisaria de muito mais que 30 segundos pra ganha-la.

 

 

CAMPEONATO AVAREENSE DE XADREZ DE 1997.

19/09/2016 09:43

por Renato de Paula

Em 1997 foi realizada mais uma edição do Campeonato Avareense de Xadrez, na época, realizado na nossa antiga sala na Concha Acústica.

Foi um torneio marcado pelo altíssimo nível técnico entre os jogadores, que terminou com Márcio Sanches sendo bicampeão, Kaio Fragoso em 2º e Benedito da Silva em 3º. Realizado nos mesmos moldes do torneio que será realizado este ano, foram 6 rodadas no sistema suíço com a participaçao de 12 jogadores, incluindo este que vos escreve, que terminou em 8º, em seu torneio de estréia.

Depois deste, foram realizados mais 3 edições do Campeonato Avareense e depois foi descontinuado por falta de condições técnicas para sua realização. Em todas as edições o campeão foi o Márcio Sanches.

Se este ano Márcio confirmar seu favoritismo, poderá entrar para a história de Avaré como o detentor da maior hegemonia existente na história do esporte avareense, uma vez que ninguém até agora conseguiu destroná-lo do posto máximo do xadrez de Avaré, contando mais de 20 anos de invencibilidade.

PARTIDAS COMENTADAS DOS JOGOS REGIONAIS

04/08/2016 09:18

por José Reitor Rizzardi

 

 

JOGOS REGIONAIS 2016

Partidas Comentadas

 

Partida 1

 

A seguir comentarei as duas partidas que julgo serem as melhores por mim disputadas nos 60º Jogos Regionais, disputados em Avaré, no mês de julho de 2016.

Depois de 3 anos sem jogar uma partida pensada, confesso que fiquei surpreso com minha performance.

Primeiramente analisarei a partida disputada na segunda rodada, contra o companheiro Erivaldo Teixeira, de Tatuí, um gambito da dama aceito, onde restou demonstrado o perigo de tentar manter o peão oferecido no gambito.

1-d4; d5  2-c4; dxc4  3- e4 (Uma linha pouco usada nos últimos tempos pelos GMs tops, mais comuns são 3-Cf3 e 3-e3). 3- ......b5 (Uma escolha, no mínimo arriscada, a recomendada nos manuais de abertura é 3- ....e5, que leva a uma posição igualada) 4-a4; c6  5-axb5; cxb5  6-b3 (O mais jogado aqui é 6-Cc3, sendo que Nakamura enfrentou essa linha recentemente, por duas vezes, e com sucesso. Em 2014, no mundial de blitz contra Wojtaszek, seguiu-se 6- .....a6 7-Cxb5; axb5  8-Ta8; Bb7  9-Ta1; e6  10- Cf3; Bxe4   11-Be2; Cf6, com ½ - ½ em 50 lances, e no Masters de Gibraltar em 2016, contra Adhiban, onde após 9-.... e6, seguiu-se  10-Ce2; Bxe4   11-b3; Cc6   12-Cc3; Bb4  13-Bd2; Bxc3   14-Bxc3; b4, com 0-1, em 55 lances) 6-......bxc3 (Definitivamente, uma má escolha, devolve o material e concede às brancas uma forte iniciativa. O correto, seria 6-....e5, buscando a igualdade) 7-Bxb5; Bd7  8-Dxb3; Bxb5  9-Dxb5; Dd7  10-Cc3; e6  11-Cge2; Cf6   12- 0-0; Be7  13-f3 (Consolidando o centro clássico) 13-....0-0  14-Be3; h6  15-Tfd1; Dxb5  16-Cxb5; Bd8 (Erro definitivo, em todo caso a posição branca já era muito superior após a troca de damas) 17-Txa7; Txa7  18-Cxa7; Bb6  19-Cb5; e5  20-Rf2; exd4  21-Cexd4; Td8  22-Re2; Cbd7 (Isso precipita o fim, permitindo uma simplificação ao estilo Capablanca) 23-Cc6; Ta8  24-Bxb6; Cxb6  25-Td8+; Txd8   26-Cxd8; Cc4 (A sorte está selada, basta trocar os cavalos e o peão a mais garante a vitória) 27-Cd4; Ch5  28-g3; f6 (Facilitando as coisas)  29-Cf5; Rh7  (Neste momento aconteceu um fato pitoresco, estava pensando para encontrar uma linha eficaz que forçasse a troca dos cavalos e demorei um pouco mais para efetuar meu lance, meu adversário, estranhando a demora, cavalheirescamente me alertou: “é a vez do senhor jogar”) 30-Ce3; Cxe3  31-Rxe3; g5  32-Ce6; Rg6  33-g4; Cg7 34-Cxg7; Rxg7   35-f4; Rf7   36- f5; Re7   37- Rd4; Rd6  38-h3; Rc6  39- e5; fxe5  40- Rxe5; Rd7  41- Rf6; Rd6  42-Rg7; Re5  43- e6; Rf4  44- Rh6; 1x0

 

Uma partida conduzida de forma simples e tranquila pelas brancas, que certamente agradará aos jogadores que apreciam o estilo posicional ou estratégico, como o praticado por Mikhail Botvinnik ou Anatoly Karpov, porém, um tédio para os apreciadores do xadrez romântico, como o comumente adotado por Alexander Alekhine e Bobby Fischer.

Sempre alertei meus pupilos, tomar o peão do gambito até pode, tentar mantê-lo, JAMAIS, fico feliz por ter podido demonstrar isso na prática.

 

Partida 2

 

A próxima partida foi jogada contra o companheiro Paulo Calixto, da equipe campeã, Itararé, e merece ser apreciada, pois, pequenos detalhes estratégicos definiram o resultado, como se vê pelos comentários que se seguem.

 

1- d4; Cf6 2- c4; c5 3- d5; 4- Cc3; g6 5- e4; Bg7 (Esta já foi uma linha favorita de Rafael Leitão, vejam as partidas por ele jogada contra Yuri Shulman na Copa do Mundo de 2007, e Giovanni Vescovi, no Zonal 2.4 de 2007, em São Paulo, naquelas partidas foram jogados 6- Bd3, por Shulman, e 6- Be2 por Vescovi ) 6 Cf3; 0-0  7- Be2; Cbd7 (e6 parece mais preciso)  8- 0-0; a6 9- a4; Cg4  10- Bf4 (Completando o desenvolvimento das peças menores); Cge5 11- Cxe5; Cxe5 12- Bg3 (para jogar f4, expulsando o Cavalo de e5);  f5 13- f4; Cf7 14- exf5; Bxf5 15- Bd3 (Tratando de trocar o meu Bispo mau  pelo bom do adversário) ; Ch6  16- Bxf5; Cxf5 17- Bf2; Db6 18- Tb1; Db4  19- Dd3; Tab8 (Em troca de um domínio na ala da Dama, as pretas negligenciam sua fraqueza em e6, melhor seria 19-....Tae8, e a partida estaria totalmente equilibrada. Com o próximo lance as brancas iniciam as hostilidades à fraqueza negra) 20- De2; Tfe8   21- g4!! (Meu adversário confidenciou-me que não previu este lance, estava preocupado com a entrada da Dama em e6, seguido de Ce4 e Cg5, mas nas analises post mortem ficou claro que não havia perigo maior para as pretas) Cd4 (Forçado, ante a ameaça Be1) 22 - Bxd4 Bxd4+  23- Rh1; Bxc3 ?! (Ganha um peão, mas a fraqueza em e6 se agrava com a falta deste Bispo, indispensável para defender as casas pretas próximas ao Rei, o computador sugere ...Tf8, mas isso é lance de máquina, né? A volta do Bispo acho que resolveria, pelo menos eu não vi nada de concreto na hora)  24- bxc3; Dxc3 (Utilizando a Dama para suprir a falta do Bispo) 25- f5; g5 ?! (A posição preta é difícil, e na pressão as pretas cometem mais um imprecisão, mas não é fácil de admitir que tomar f5 seja melhor, seria preciso muito sangue frio pra segurar a barra) 26-Tf3; Df6 27- Te3; Rf8 (Erro definitivo, mas 27 .... b5, sugerido pela máquina também não resolve, por exemplo, 28- axb5; axb5  29- cxb5; Dd4  30- Td1; Da4 31- b6!!; c4 32- Te4 Txb6  33- f6!! ; Tbb8 34- Txe7; Txe7  35- fxe7 De8  36- Tf1, com vantagem) 28- Te6 (Colocando o dedo na ferida); Dd4 29- Te1; Dc3  30-f6!! Dxf6 31 Txf6; exf6 32-Qf2; Txe1 33- Dxe1; Te8  34- Df2; Rg7 (A partida já está decidida, mas ainda foram feitos mais alguns lances em razão do apuro de tempo) 35- Df5; Te7 36- Dc8; h5 37- Dd8;  Te1+  38- Rg2; hxg4 39- Dxd6; Rg6 40- Dg3; Te2 41- Rg1; f5 42- a5; Rf6 43- Dc3 (ainda foram jogados mais alguns lances no ping, mas a vantagem material, que era decisiva, prevaleceu) 1x0

 

Para azar de meu adversário, se não foi esta a melhor partida que já joguei num regional, certamente foi uma das melhores.

Estas foram as minhas impressões, se alguém quiser acrescentar alguma observação ou correção em minhas análises e comentários, fique a vontade, não sou um Kapivara presunçoso, nem pretencioso.

 

José Reitor Rizzardi

“Kapi-Capitão da Equipe Avareense”

 

Uma volta ao passado...

15/12/2015 21:34

Uma das finalidades de nosso grupo, além da promoção do xadrez, é resgatar  sua história, repleta de glórias e fatos notáveis.

Nas mais diversas épocas, jogadores abnegados e cheios de brio defenderam a bandeira avareense em competições pelo Estado de São Paulo, trazendo vitórias e prestígio a nossa cidade. Títulos nos Jogos Regionais e em Abertos em vários anos, vitórias sobre Mestres e campeões paulistas e até mesmo um avareense chegou a vencer um jogador que empatou com ninguém mais ninguém menos que Mequinho.

Se temos jogadores atualmente na ativa e procuram, com todo o esforço, manter viva essa tradição é porque no passado, homens como João Durço, Grazziello Faconti Noronha, Djalma Noronha, Benedito Tonuchi, Werner Roosli, João Fragoso, Reinaldo Damin, Pedro Benato, Cassetari, Dr. Santiago, Milton Fiori, o espanhol galego Pedro Niergas, Adib Curiati e outros tantos lançaram as bases.

De nada adianta pensarmos no futuro se não olharmos para o passado e valorizar o que nossos antecessores fizeram por nós.

E pensando assim, resolvemos destrinchar tudo isso.

Nosso objetivo nesse levantamento histórico é conseguir partidas jogadas em épocas anteriores, coloca-las em PGN e analisá-las. Também queremos levantar fatos históricos,  torneios disputados, eventos importantes, etc.

Tudo começou  quando batíamos papo num desses nossos encontros habituais para jogar xadrez quando o Silvério disse que por curiosidade resolveu digitar no Google o termo: Clube de Xadrez de Avaré. A pesquisa resultou positivo: indicava seu endereço à Rua Maranhão,  cujo número não recordo. A conversa parou por aí, mas isso ficou na minha mente.

Jogo xadrez há 20 anos (trajetória cheia de altos e baixos, e 5 anos de inatividade) e nunca tinha ouvido falar nisso. Eu me lembro que por volta de 1996 havia a sala na Concha Acústica e diziam que havia o Círculo Operário e o Centro Avareense.

Pois bem, resolvi arregaçar as mangas e investigar tudo isso mais a fundo. Consegui o número da CNPJ do dito clube e pesquisando aqui e acolá, descobri qual pessoa estava vinculada a essa CNPJ:  Antônio Genez Parise. Nessa mesma ocasião, descobri no banco de dados da Câmara Municipal, um projeto de Decreto Legislativo concedendo o Título de Cidadão Avareense a ele, de autoria do vereador Davi Cortez. Na justificativa para concessão do título mencionou-se que ele fundou um clube de xadrez em Avaré. Enfim,  tudo se ligava e ele era o homem a ser procurado.

Quem era Antônio Genez Parise? Soube que ele é um cidadão que prestou serviços extremamente relevantes para a cidade e enumerar tudo o que ele fez seria uma tarefa árdua, e seria necessário um livro, mas como encontra-lo?

E é nessas horas que a tecnologia trabalha a nosso favor: bastou uma simples pergunta no nosso grupo no facebook que um dos nossos, Flávio Fragoso, afirmou conhece-lo e chegou até a fornecer seu telefone para contato.

Tomei coragem, fiz uma ligação e do outro lado da linha, um senhor atendeu, e era o próprio Antônio Genez que atendeu e mostrou-se entusiasmado com o contato.

Marquei um horário e eu, junto com o Junior Berna, fomos até a residência de Antônio

Logo que chegamos na casa dele, fomos atendido pelo próprio, que em nada parecia com um senhor de 97 anos, tamanha saúde e lucidez para tão avançada idade.  Deparamos com um local que, por si só,  exala história: relógios de parede à corda, cristaleiras seculares e muitos móveis antigos, impecavelmente limpos e bem cuidados.

Ele afirmou não se lembrar a data em que o clube foi fundado, mas que ele foi criado na esteira do antigo Círculo Operário, atrás de uma igreja  (Nota:  recebemos a informação de que o Círculo Operário funcionava num local que dá de fundos à Igreja Santa Cruz). Lá, jogadores como Adib Curiati, Grazziello Noronha, Djalma Noronha, Tonuchi e outros se reuniam.

Perguntei-lhe  aonde entrava o Centro Avareense no meio dessa história. Isso porque quando iniciei no xadrez, recordo-me que os antigos falavam que havia uma distinção entre os que jogavam no Centro Avareense.

Lá pelos fins de 1996, quando frequentava a sala da Concha Acústica, eu nunca o vi. Ele nos disse que não saía a noite e era somente nesse período que os jogadores se encontravam, por isso o afastamento.

Quanto ao Centro Avareense, ele esclareceu que o presidente do Centro Avareense na época, o Sr. Petrônio Negrão, cedeu uma sala para os praticantes. Esse local agora abriga o restaurante do Centro Avareense.

Lembrou do Tonuchi, do João Durço e do Grazzielo Noronha.

Infelizmente ele disse não ter nada registrado da época. Logo que o clube acabou, toda a documentação ficou com o Djalma Noronha: as partidas, as atas de reunião, tabelas de torneio, tudo... Depois, sabe-se lá o que ocorreu com tudo isso...

EM seguida, ele nos desafiou para um jogo.

Sentei à mesa, e logo nos primeiros lances, me veio a memória das partidas que jogava com o Benedito Tonuchi, que no alto dos seus 91 anos, ainda dava couro em muito cara novo.

A partida se seguiu como nos tempos do finado Tonuchi, infelizmente não foi anotada, mas as fotos abaixo denotam :

 

Venci. Mas por causa de uma série de lances defensivo que consegui encontrar, aliados a desistência do adversário.

Mas o brilhantismo ainda veio: foi a vez de Junior. E daí veio a forma brilhante com que um veterano de 97 anos, 82 só de xadrez, enfrenta um jogador que tinha idade para ser seu neto. Com uma dama a menos, ele venceu a partida numa das mais belas demonstrações de espírito de luta, visão e tenacidade no xadrez que nunca havia visto em toda a minha vida.

Assista aos vídeos parte 1 e 2 com  Antônio Genez Parise 

 

 

 

Eram 22 horas e se dependesse de todos, o papo ia rolar madrugada adentro. Infelizmente, não era possível  continuar, mas já era tarde e tínhamos que voltar

No fim, ficou também a figura do filantropo Antônio Genez:  Afirmou que havia duas mesas de xadrez de imbuia paradas no Centro Avareense. Voluntariamente, as doou para nosso grupo.

E assim, terminou nosso encontro. Com a certeza de que outros virão, porque ficou a promessa de visitarmos ele outras vezes.

Sim! Nós tinhamos uma sala de xadrez!

10/10/2015 14:50

Por Renato de Paula

 

Quem está em Avaré e vai até a Concha Acústica, um dos pontos turísticos de nossa cidade, quando for dar uma olhada mais atenta, vai acabar deparando com essa placa aí em cima, ao lado de uma porta trancada e vai se perguntar:  CADÊ A SALA????????

E a resposta é muito simples:  ELA NÃO EXISTE MAIS!!!!!

Até meados do ano 2000, todos os enxadristas de Avaré tinham um ponto de referência quando o negócio era praticar a arte da Caíssa: a Concha Acústica. Em dias de eventos no centro, a sala fervia, sempre lotada, com suas lindas mesas de jogos feitas pelo saudoso João Durço, que religiosamente abria a sala todos os dias, durante a semana, á noite e aos fins de semana, durante a tarde. 

Muitos embates de xadrez blitz ocorriam e ia muita gente nova lá querendo aprender xadrez!

Diziam os jogadores mais antigos que a sala foi uma conquista de todos, graças a atuação politica de alguns jogadores que eram vereadores na época. Isso em 1988. O patrono da sala "Dr. Grazzilelo Faconti Noronha" era um enxadrista que representou Avaré em várias competições pelos anos 50, pai do médico Luiz Noronha e bisavô de Victor Noronha Mesquita, também jogador de xadrez, com apenas 08 anos de idade que tá fazendo um estrago no RJ.

Mas, como nem tudo que é bom dura para sempre, essa era de ouro acabou-se, repentinamente em meados do ano 2000. Era uma tarde de sábado, cheguei lá e deparei com a sala vazia. Fui até a casa de meu amigo Rogério e ele simplesmente disse que o prefeito tirou a nossa sala. Isso depois de termos ganhado a medelha de ouro nos Jogos Regionais daquele ano.

Mesmo esse duro golpe não nos abalou. Foi uma época boa para o xadrez avareense. Quase todo o fim de semana tinha um torneio em alguma cidade para irmos, isso sem contar que tinhamos dois torneios municipais importantes: o Municipal e o Torneio do Chico Paiva.

Mas a nossa sede, o local que usavamos para trazer mais jogadores para nós, foi-nos usurpado. E com ele, todo o material que lá havia que simplesmente sumiu.

Os livros existentes lá foram restituídos à família de João Durço, mas e as belíssimas mesas de madeira, algumas até do Centro Avareense? Que fim levou os murais didáticos? Certa vez eu os procurei quando fui ensinar umas crianças na escola onde trabalhava. Disseram que estavam armazenadas no Ginásio Kim Negrão. Fui lá e ninguem sabia de nada, isso um ano depois da desativação da sala.

Daquela época mágica, só restou mesmo a placa de inauguração.

 

A partida

25/09/2015 22:44

A Partida

por José Reitor Rizzardi

 

Depois de um ano de muitas viagens pelo Brasil afora, de Catende (PE) a Canguçu (RS), resolvi me dar uma semana de “folga” na praia.  Esta era a idéia quando me programei para participar dos Jogos Abertos do Interior em Praia Grande, onde minha equipe, “Avaré”, defenderia o título conquistado em 2006, em São Bernardo do Campo.

Em princípio me imaginei atuando em algumas partidas, revezando com o companheiro Kaio Fragoso, no 4º tabuleiro, porém, chegando em Praia Grande, depois de 7 horas de viagem, fui informado que um de nossos melhores jogadores, o amigo Sady, estava enfermo e não viria para os jogos, em conseqüência nosso capitão Cláudio Yamaia me informou que estava me lançando às feras, para ser devorado no 1º tabuleiro, e mais, a primeira rodada se iniciaria em 15 minutos e, de quebra, enfrentaria minha cidade natal, Bragança Paulista (primeiro golpe psicológico).

Peço desculpa a meu novo amigo e falso conterrâneo (ele me informou que é natural de São Carlos) José Sampaio, mas deixarei para comentar nossa partida numa outra oportunidade, pois agora quero me dedicar a narrar uma experiência que poucos Kapivaras (com K maiúsculo) como eu,  têm na vida, a gloria de enfrentar o maior jogador de xadrez brasileiro de todos os tempos, mesmo respeitando opiniões contrarias de muitos mestres atuais. Como podemos ver, tudo na vida tem seu lado “bom”, se é que podemos considerar uma “quase inevitável” derrota, mesmo sendo para um mito, como uma coisa boa.

A verdade é que há 31 anos atrás, eu sofria acompanhando seu match contra Polugaevsky.  Me recordo  que, diariamente, corria à banca para comprar o Jornal da Tarde e reproduzir sua partida, chegando ao desespero quando a partida era suspensa e tinha que aguardar o dia seguinte pra ver que minhas “análises”, que o levariam a vitória, estavam totalmente furadas (já naquela época eu era muito ruim de cálculo). Naquela época jamais me passou pela cabeça a hipótese de um dia estar frente a frente com ele num tabuleiro, jogando uma partida oficial.

Na manha de 23 de outubro de 2007, ao consultar o Boletim dos Jogos, fiquei sabendo que enfrentaríamos Taubaté e, conseqüentemente, me caberia enfrentar, no 1º tabuleiro, a lenda viva Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, ato contínuo, senti meu coração na boca, não sei se por medo, por emoção, ou apenas por ter esquecido de tomar o comprimido de Atenolol (é amigos, 51 anos pesam), o fato é que a vida estava me dando a oportunidade que muitos desejam ter.

O tempo passa e as prioridades mudam, se me perguntassem há trinta anos as linhas que meu “adversário” joga, certamente responderia instantaneamente, porém hoje só jogo xadrez postal e “participo” dos Regionais e Abertos do Interior de São Paulo, mas tinha no fundo da memória que ainda me resta que ele gostava da Indo Benoni que, confesso, não me é “familiar”.  Comentando o fato com meu amigo Rodolfo Polônio ele me tranqüilizou pois, contra esta variante tinha um brilhante “8-h3!!”, que me deixaria muito bem, porém, pelo que ele tem visto, certamente ele não jogaria uma Benoni, mas sim uma Eslava. Pronto, e agora?, voltei na estaca zero.  Quer saber, de nada adianta “perder tempo” sofrendo e imaginando o que ele usaria pra me “triturar”, melhor seria me preocupar em registrar o momento pra um dia poder contar pra minha netinha Ana Laura, que, com 1 ano e 3 meses já está “jogando” xadrez (vocês precisam ver, seus “lançamentos” já me causam grandes “problemas” pra encontrar todas as peças e montar a posição inicial).

Chegando ao local da partida, na entrada encontrei meu amigo Sampaio que me perguntou:

-“E aí Rizzardi (em Bragança meus familiares me chamam de Zé, pra não confundir com meu pai Reitor, que Deus levou há pouco mais de um ano, na escola, trabalho, meus amigos e familiares de Avaré me chamam de Reitor, os amigos do xadrez me chamam de Rizzardi), o que preparou pra jogar com o Mequinho?”

Respondi na lata e na linguagem cinquentona : A máquina fotográfica (na verdade uma moderna Câmera Digital do amigo Kaio).

Ele insistiu:

“Não, você precisa aproveitar a oportunidade e tentar surpreendê-lo, ele gosta da Indo Benoni (opa, parece que eu estava certo), mas é Indo Benoni”, enfatizou.

Aí eu relatei que tinha sido informado que ele estaria jogando a Eslava, ao que meu amigo atirou: “Se ele fizer a Eslava, manda uma Caro Kan nele”.  Confesso que nunca tinha me ocorrido esta possibilidade, talvez por usá-la com as negras e considerar uma boa arma contra 1.e4, meu subconsciente bloqueava a idéia, mas prometo experimentar em breve.

Bom, deixando o papo de lado, vamos a partida, não sem antes mencionar, que autorizado o início da rodada com o famoso “o condutor das pretas podem acionar o relógio”, meu adversário ainda não havia aparecido, portanto, meu primeiro pensamento foi: teria ele “tremido” nas bases e “amarelado”?  Para meu desapontamento, tão logo o arbitro acionou o relógio por ele, eis que surge adentrando apressadamente o salão.

1.d4; Cf6 (Opa, escapei da Eslava!) 2.c4; g6 (Será que vai jogar uma India do Rei ou quer me confundir a jogar a Indo Benoni por transposição?) 3.Cc3; d5 (Nossa !!!, isto eu não esperava mesmo, a última partida dele que conheço, jogando a Grünfeld, foi em 1992 contra Seirawan, em São Paulo, aliás foram 3 partidas, ele perdeu na 1ª rodada e empatou nas 3ª e 5ª, só que Seirawan usou a linha 8.Cf3, que confesso nunca utilizei, portanto, e agora José?) 4.cd5; Cd5  5.e4; Cc3 6.bc3 Bg7 (confesso que me surpreendi com a escolha dele, outros mestres também, me confessaram, até agora ele não gastou tempo, apenas o que resultou do acionamento do relógio pelo arbitro, já eu, ficava buscando no fundo da memória algo pra tentar, de alguma forma, surpreendê-lo e, completei 15 minutos para concluir meu próximo lance) 7.Bc4 c5 8.Ce2 Cc6 9.Be3 0-0 10.0-0 cd4 11.cd4 Bg4 12.f3 Ca5 (e agora, que faço com meu bispo? Tomo em f7 (variante Sevilha)? Não isto foi muito estudado. 13.Bd5 foi jogado contra ele em 1976 por Browne e o resultado foi 0-1, também Polugaevsky jogou no match de 1977 e o resultado foi ½, então, só me restou ....) 13.Bd3 (e la se foram mais alguns minutinhos preciosos) Be6 (eu já havia gasto 30 minutos e ele 5, o que me fez concluir que ele estava me levando pra onde queria, então me decidi: como não é todo dia que um Kapi enfrenta um GM, não posso desperdiçar  a oportunidade de um belo sacrifício, mesmo que seja teórico)14.d5 Ba1 15.Da1 f6 (pelo menos ele pensou um pouco 35 minutos a 15. Nesta altura me lembrei de uma partida postal que joguei há mais de 15 anos contra o saudoso Paulo Guimarães, não sei se ainda a tenho, “arquivada” em alguma gaveta, mas depois de 16.Bh6 e algumas imprecisões das negras ele teve que devolver a qualidade, com o que acabou perdendo a partida. Ainda me recordo de seu espirituoso comentário :“Estou me sentindo como aqueles bandidos do velho oeste que, após assaltar a diligência e se perder no deserto, para salvar meu pangaré tenho que ir deixando o produto do roubo pelo caminho”, hoje, porém as negras encontraram novos caminhos.  Assim, decidi por me afastar um pouco das linhas principais e usar uma linha que um adversário usou contra mim algum tempo atrás numa partida de diversão (3 minutos) no Buho21) 16.Dd4 (Nas análises etílicas da equipe, feita na “concentração” da esquina do alojamento, ao indagar “onde foi que errei”?, meus amigos disseram que foi neste lance, mas eu acho que ele não esperava por ele e, após pensar um pouco mais, enquanto eu ia ao toalete, o que aliás, como Kranminik, vou muitas vezes em razão da diabetes, ele jogou...) ...Bd7 17.Bh6 ?! (como estava com a partida Topalov x Shirov,  Wijk aan Zee 2007, na cabeça, nem me dei conta de que ele hão jogou o Bispo pra f7 e fiz meu lance automaticamente.Na mencionada partida  os GMs jogaram assim 17...Bf7 18.Bh6 Te8 19.Bb5 e5 20.Df2 Te7 21.f4 ef4 22.Df4 Db6+ 23.Rh1 Bd5, e 1-0 em 41 lances.  Pode ser que tenha perdido minha oportunidade de ouro de, pelo menos, continuar sonhando com uma vitória contra um GM, contra 16....Bd7 a Eco menciona apenas 17.Cf4 b6  18.Bd2 Dc7 19.Db4 Dd6 20.Ba6 Bc8 21.Db5 Ba6 22.Da6 Tfc8 23.Ce6, avaliando que há compensação pela qualidade, mas não estou bem certo disso, o melhor, e que conta com o aval do companheiro de equipe MF Luis Rodi é 17.e5!!, seguindo 17.....Db8 , de outra forma 18.Bd4 parece fortíssimo, 18.De7 Te8 19.Dc5 b6 20.Dc1 e aqui temos os seguintes precedentes: 20... Dc8 21.Dd2 Cc4 22.Bc4 Dc4 23.Tc1 Dh4 24.Bf2 (Cg3!?) Df6 e o peão passado de d5 deve, no mínimo garantir a igualdade, como foi jogado em Van Wely – Mikhalevski  “1/2” em 65 lances, ou 20....De5 21.Bd4 Dd5 22.Dh6 Df7 23.Cf4 Df8 =  Mikhalevski – Sutovsky, ou  20...Dd6 21.Bd4 Tac8?! 22.Dh6 com vantagem Nielsen – Holzke. Voltando à minha agonia, só me dei conta da besteira quando ele efetuou seu lance 17.)17.....Tf7 18.e5 (Depois do relógio marcar 55 minutos e já tendo percebido a besteira do lance 17, nem avaliei a possibilidade de voltar o Bispo, que talvez fosse a melhor opção, porém, uma tremenda derrota moral, alem de que, como bom Kapivara fiz a seguinte avaliação da posição: “Com aquele Cavalo cercado em a5 e a Torre sem jogar em a8, tenho que atacar”, e assim o fiz, para minha desgraça) 18... fe5  19.De5 (Aos olhos de um bom Kapi, a posição das Brancas é perfeita, esta impressão, e o fato do Mestre demorar nada menos que 37 minutos analisando, tempo suficiente para eu ir mais duas vezes ao toalete e ouvir o murmurinho nos corredores, “o Mequinho ta perdido pro cara de Avaré”. No meu segundo retorno  à mesa, e com a demora dele pra jogar, também comecei a acreditar que estava ganho, e ai, como bom Kapi, comecei a preparar a “combinação da minha vida”, com a seguinte avaliação: Bom ele deve estar com dificuldades pra resolver a situação daquele cavalão empacado em a5, isto me deve dar tempo de jogar o mortal “Cf4”, e assim foi) 19....Tc8 20.Cf4 (Nesta altura ambos estávamos pendurado no relógio pra completar os 23 lances do primeiro controle, mas eu estava confiante na minha brilhante combinação. Como todo Kapi também tenho a mania de, nos meus cálculos, considerar que o lance que previ para o adversário é o único, porém depois da derrota vejo que na verdade era o único que perdia, por esta razão ele, evidentemente, não faz. Aqui eu analisei 20.....b6, pra dar uma casinha pro cavalo!!! e, logicamente, pra minha combinação ficar perfeita, tirar o cheque de Dama em b6, e então o gran finale 21.Cg6!!!! Mas para meu desgosto)  20....Cc4 (E o castelo desmoronou!! Talvez ainda pudesse resistir um pouco mais com 21.Dd4, mas a frustração e o aperto no relógio, que pode ser visto no YouTube com o títuto “Reitor x Mequinho”, acabei facilitando as coisas pra ele, com o seguinte desfecho) 21.Bc4 Tc4 22.Ce6 Db6+ 23.Rh1 Dd6 24.Dd6 ed6 25.Cd8 Tf5 – Ab 0-1.

 Dessa experiência tiro a seguinte lição: na vida devemos estar sempre preparados pra tudo. Meu novo amigo Sampaio tem razão, devia ter preparado uma linha pra jogar contra o Mestre, só não concordo que seja de improviso. Como não imaginava que jogaria no tabuleiro 1, não levei a serio minha preparação, nem mesmo uns probleminhas de saúde servem de desculpa. Se tivesse usado o material que recebi do companheiro Rodi com mais seriedade, talvez tivesse melhor sorte.

Amigos eu prometo: da próxima vez vou preparar alguma coisa, uma Trompovisk talvez!!, mesmo que seja pra jogar no 4, quem sabe se ele, por estratégia da equipe, não desça pro 4º tabuleiro, nunca sabemos o que a vida nos reserva.

De bom guardo as fotos e o vídeo que o amigo Kaio fez, além, é claro, da planilha assinada pelo Mequinho, que um dia chegou a ser o terceiro melhor do mundo. Vou emoldurá-la e guardar pra minha netinha, para quando ela já estiver compreendendo melhor o significado da vida, e, em vez de lançamento estiver efetuando lances com minhas peças de xadrez. Quem sabe ela além de mostrar pra suas amigas possa usá-la como instrumento de intimidação contra suas futuras adversárias. 

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