Sim! Nós tinhamos uma sala de xadrez!

10/10/2015 14:50

Por Renato de Paula

 

Quem está em Avaré e vai até a Concha Acústica, um dos pontos turísticos de nossa cidade, quando for dar uma olhada mais atenta, vai acabar deparando com essa placa aí em cima, ao lado de uma porta trancada e vai se perguntar:  CADÊ A SALA????????

E a resposta é muito simples:  ELA NÃO EXISTE MAIS!!!!!

Até meados do ano 2000, todos os enxadristas de Avaré tinham um ponto de referência quando o negócio era praticar a arte da Caíssa: a Concha Acústica. Em dias de eventos no centro, a sala fervia, sempre lotada, com suas lindas mesas de jogos feitas pelo saudoso João Durço, que religiosamente abria a sala todos os dias, durante a semana, á noite e aos fins de semana, durante a tarde. 

Muitos embates de xadrez blitz ocorriam e ia muita gente nova lá querendo aprender xadrez!

Diziam os jogadores mais antigos que a sala foi uma conquista de todos, graças a atuação politica de alguns jogadores que eram vereadores na época. Isso em 1988. O patrono da sala "Dr. Grazzilelo Faconti Noronha" era um enxadrista que representou Avaré em várias competições pelos anos 50, pai do médico Luiz Noronha e bisavô de Victor Noronha Mesquita, também jogador de xadrez, com apenas 08 anos de idade que tá fazendo um estrago no RJ.

Mas, como nem tudo que é bom dura para sempre, essa era de ouro acabou-se, repentinamente em meados do ano 2000. Era uma tarde de sábado, cheguei lá e deparei com a sala vazia. Fui até a casa de meu amigo Rogério e ele simplesmente disse que o prefeito tirou a nossa sala. Isso depois de termos ganhado a medelha de ouro nos Jogos Regionais daquele ano.

Mesmo esse duro golpe não nos abalou. Foi uma época boa para o xadrez avareense. Quase todo o fim de semana tinha um torneio em alguma cidade para irmos, isso sem contar que tinhamos dois torneios municipais importantes: o Municipal e o Torneio do Chico Paiva.

Mas a nossa sede, o local que usavamos para trazer mais jogadores para nós, foi-nos usurpado. E com ele, todo o material que lá havia que simplesmente sumiu.

Os livros existentes lá foram restituídos à família de João Durço, mas e as belíssimas mesas de madeira, algumas até do Centro Avareense? Que fim levou os murais didáticos? Certa vez eu os procurei quando fui ensinar umas crianças na escola onde trabalhava. Disseram que estavam armazenadas no Ginásio Kim Negrão. Fui lá e ninguem sabia de nada, isso um ano depois da desativação da sala.

Daquela época mágica, só restou mesmo a placa de inauguração.