Uma volta ao passado...

15/12/2015 21:34

Uma das finalidades de nosso grupo, além da promoção do xadrez, é resgatar  sua história, repleta de glórias e fatos notáveis.

Nas mais diversas épocas, jogadores abnegados e cheios de brio defenderam a bandeira avareense em competições pelo Estado de São Paulo, trazendo vitórias e prestígio a nossa cidade. Títulos nos Jogos Regionais e em Abertos em vários anos, vitórias sobre Mestres e campeões paulistas e até mesmo um avareense chegou a vencer um jogador que empatou com ninguém mais ninguém menos que Mequinho.

Se temos jogadores atualmente na ativa e procuram, com todo o esforço, manter viva essa tradição é porque no passado, homens como João Durço, Grazziello Faconti Noronha, Djalma Noronha, Benedito Tonuchi, Werner Roosli, João Fragoso, Reinaldo Damin, Pedro Benato, Cassetari, Dr. Santiago, Milton Fiori, o espanhol galego Pedro Niergas, Adib Curiati e outros tantos lançaram as bases.

De nada adianta pensarmos no futuro se não olharmos para o passado e valorizar o que nossos antecessores fizeram por nós.

E pensando assim, resolvemos destrinchar tudo isso.

Nosso objetivo nesse levantamento histórico é conseguir partidas jogadas em épocas anteriores, coloca-las em PGN e analisá-las. Também queremos levantar fatos históricos,  torneios disputados, eventos importantes, etc.

Tudo começou  quando batíamos papo num desses nossos encontros habituais para jogar xadrez quando o Silvério disse que por curiosidade resolveu digitar no Google o termo: Clube de Xadrez de Avaré. A pesquisa resultou positivo: indicava seu endereço à Rua Maranhão,  cujo número não recordo. A conversa parou por aí, mas isso ficou na minha mente.

Jogo xadrez há 20 anos (trajetória cheia de altos e baixos, e 5 anos de inatividade) e nunca tinha ouvido falar nisso. Eu me lembro que por volta de 1996 havia a sala na Concha Acústica e diziam que havia o Círculo Operário e o Centro Avareense.

Pois bem, resolvi arregaçar as mangas e investigar tudo isso mais a fundo. Consegui o número da CNPJ do dito clube e pesquisando aqui e acolá, descobri qual pessoa estava vinculada a essa CNPJ:  Antônio Genez Parise. Nessa mesma ocasião, descobri no banco de dados da Câmara Municipal, um projeto de Decreto Legislativo concedendo o Título de Cidadão Avareense a ele, de autoria do vereador Davi Cortez. Na justificativa para concessão do título mencionou-se que ele fundou um clube de xadrez em Avaré. Enfim,  tudo se ligava e ele era o homem a ser procurado.

Quem era Antônio Genez Parise? Soube que ele é um cidadão que prestou serviços extremamente relevantes para a cidade e enumerar tudo o que ele fez seria uma tarefa árdua, e seria necessário um livro, mas como encontra-lo?

E é nessas horas que a tecnologia trabalha a nosso favor: bastou uma simples pergunta no nosso grupo no facebook que um dos nossos, Flávio Fragoso, afirmou conhece-lo e chegou até a fornecer seu telefone para contato.

Tomei coragem, fiz uma ligação e do outro lado da linha, um senhor atendeu, e era o próprio Antônio Genez que atendeu e mostrou-se entusiasmado com o contato.

Marquei um horário e eu, junto com o Junior Berna, fomos até a residência de Antônio

Logo que chegamos na casa dele, fomos atendido pelo próprio, que em nada parecia com um senhor de 97 anos, tamanha saúde e lucidez para tão avançada idade.  Deparamos com um local que, por si só,  exala história: relógios de parede à corda, cristaleiras seculares e muitos móveis antigos, impecavelmente limpos e bem cuidados.

Ele afirmou não se lembrar a data em que o clube foi fundado, mas que ele foi criado na esteira do antigo Círculo Operário, atrás de uma igreja  (Nota:  recebemos a informação de que o Círculo Operário funcionava num local que dá de fundos à Igreja Santa Cruz). Lá, jogadores como Adib Curiati, Grazziello Noronha, Djalma Noronha, Tonuchi e outros se reuniam.

Perguntei-lhe  aonde entrava o Centro Avareense no meio dessa história. Isso porque quando iniciei no xadrez, recordo-me que os antigos falavam que havia uma distinção entre os que jogavam no Centro Avareense.

Lá pelos fins de 1996, quando frequentava a sala da Concha Acústica, eu nunca o vi. Ele nos disse que não saía a noite e era somente nesse período que os jogadores se encontravam, por isso o afastamento.

Quanto ao Centro Avareense, ele esclareceu que o presidente do Centro Avareense na época, o Sr. Petrônio Negrão, cedeu uma sala para os praticantes. Esse local agora abriga o restaurante do Centro Avareense.

Lembrou do Tonuchi, do João Durço e do Grazzielo Noronha.

Infelizmente ele disse não ter nada registrado da época. Logo que o clube acabou, toda a documentação ficou com o Djalma Noronha: as partidas, as atas de reunião, tabelas de torneio, tudo... Depois, sabe-se lá o que ocorreu com tudo isso...

EM seguida, ele nos desafiou para um jogo.

Sentei à mesa, e logo nos primeiros lances, me veio a memória das partidas que jogava com o Benedito Tonuchi, que no alto dos seus 91 anos, ainda dava couro em muito cara novo.

A partida se seguiu como nos tempos do finado Tonuchi, infelizmente não foi anotada, mas as fotos abaixo denotam :

 

Venci. Mas por causa de uma série de lances defensivo que consegui encontrar, aliados a desistência do adversário.

Mas o brilhantismo ainda veio: foi a vez de Junior. E daí veio a forma brilhante com que um veterano de 97 anos, 82 só de xadrez, enfrenta um jogador que tinha idade para ser seu neto. Com uma dama a menos, ele venceu a partida numa das mais belas demonstrações de espírito de luta, visão e tenacidade no xadrez que nunca havia visto em toda a minha vida.

Assista aos vídeos parte 1 e 2 com  Antônio Genez Parise 

 

 

 

Eram 22 horas e se dependesse de todos, o papo ia rolar madrugada adentro. Infelizmente, não era possível  continuar, mas já era tarde e tínhamos que voltar

No fim, ficou também a figura do filantropo Antônio Genez:  Afirmou que havia duas mesas de xadrez de imbuia paradas no Centro Avareense. Voluntariamente, as doou para nosso grupo.

E assim, terminou nosso encontro. Com a certeza de que outros virão, porque ficou a promessa de visitarmos ele outras vezes.